Biografia

RESUMO DA ÓPERA REALISTA: A MÃE, ADALGIZA PASTANA, DEU O EXEMPLO; O FILHO, MANOEL PASTANA, QUE JÁ EXERCEU VÁRIOS CARGOS E ATUALMENTE É PROCURADOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, SEGUIU O EXEMPLO E PROSPEROU. CONHEÇA A HISTÓRIA DE AMBOS.

Manoel do Socorro Tavares Pastana nasceu num Sábado de Aleluia, no dia 21 de abril de 1962, às 17hs, no interior da Ilha do Marajó/Pará. Originário de família extremamente carente, Manoel Pastana jamais se entregou às adversidades que a realidade da vida lhe “presenteou”. Ele seguiu o exemplo de vida e de luta por existência digna dado por sua mãe, Adalgiza Tavares Pastana, nascida no dia 09 de agosto de 1935, numa humilde casa com cobertura e paredes de palhas na qual, anos depois, seu filho Manoel Pastana veio ao mundo.

Na década de 1950, o índice de analfabetismo na longínqua região da Ilha do Marajó onde Adalgiza nasceu era de 100%. Ela, todavia, não aceitou desconhecer o significado das letras. Para excepcionar a estatística, convenceu uns ribeirinhos (agricultores e pescadores) e formou um grupo de estudantes, cujo objetivo fora aprender o significado da junção das letras numa pequena escola, que ficava distante de onde moravam.

Como única mulher do grupo, a destemida senhorita e seus colegas de aprendizagem navegavam três vezes por semana rumo à modesta escola, tendo como meio de transporte uma precária canoa a remo, cuja viagem durava várias horas de ida e mais outro tanto de volta, sob sol e chuva, devido ao clima típico da região amazônica.

O esforço valeu a pena e o resultado foi a alfabetização do grupo, tendo a determinada Adalgiza adquirido o hábito de leitura e a conscientização de, quando se tornou mãe, anos depois, proporcionar aos filhos acesso à educação.
Nessa toada, para que eles (os filhos) não passassem pelos mesmos problemas de falta de escola pelo qual passou, a dedicada mãe convenceu o pai a se mudarem para a pequena cidade de São Sebastião da Boa Vista, dentro da própria Ilha do Marajó, onde havia escola.

Assim, a família deixou o sítio no qual passara necessidade por não possuir recursos financeiros, mas tinha alimentos produzidos na roça e/ou capturados na pesca e caça. Na pequena cidade, não havia produção de alimentos como existia no sítio, logo, tudo tinha que ser comprado.

Diante da carência financeira, a matriarca acordava pela madrugada para fazer salgados, que os filhos vendiam nas escolas e ruas da cidade. Não obstante o esforço de todos, muitas vezes a família passou fome literalmente, pois o ganho era insuficiente para comprar alimentos.

Mesmo com os problemas de ordem econômica, a mãe não deixou que seus filhos virassem pedintes nas ruas nem entrarem nas filas de donativos da prefeitura e da igreja que distribuíam alimentos de vez em quando, tampouco praticarem pequenos delitos como furtos famélicos. Ela costumava dizer que não queria criar filhos pedintes nem ladrões.
Com determinação, disciplina e sabedoria Adalgiza criou nove filhos próprios e cinco adotivos, sendo que nenhum se tornou pedinte nem ladrão. Atualmente, aos 84 anos de idade, absolutamente lúcida, reside em Brasília. Exercita o cérebro pelo hábito de leitura e os músculos com hidroginástica, musculação e caminhada.
Depois de criar os filhos próprios e adotivos, no início do ano de 2019, a octogenária Adalgiza adotou uma filha canina. Seu filho,

Heliéser Pastana, conhecido por Liro, encontrou nas ruas de Brasília uma cadelinha atropelada e abandonada. Incontinenti, Liro foi em busca de socorro veterinário, pois a pet estava muito machucada, correndo risco altíssimo de morte. Ela foi submetida a cirurgias e a tratamentos que foram custeados, em sistema de quotização, por diversas pessoas que amam os animais.

Após a recuperação, Liro, que tem outros pets, procurou um lar para a Vitória, nome dado à socorrida no dia do salvamento. Como sabia do grande sofrimento e da fragilidade da cadelinha, Adalgiza Pastana temeu que seu filho não conseguisse um lar que desse tratamento adequado à peculiar condição da paciente, então resolveu adotá-la.
Assim, após ter criado 14 filhos, a supermãe responsabilizou-se pela guarda de mais uma filha e resolveu trocar o nome de Vitória para Melissa. Foi amor à primeira vista, ou melhor, à primeira lambida. Melissa virou sua paixão. Ambas se recolhem ao quarto à noite no mesmo horário e acordam cedo da manhã. Uma não desgruda da outra. Elas, a rigor, se adotaram. Não se sabe a idade certa da Melissa. Ela foi encontrada em novembro de 2018. O veterinário estimou que tenha nascido em agosto daquele ano. Após adotá-la, Adalgiza resolveu que constaria no registro da pet o dia 9 de agosto de 2018 como data de nascimento. O 9 de agosto foi para coincidir com o dia e o mês do próprio nascimento que é 9 de agosto de 1935.

Ao completar 84 anos no dia 9 de agosto de 2019, a mãe coruja decidiu que não queria festejar o próprio aniversário, mas, sim, fazer o aniversário de um ano da Melissa. Assim, realizou-se uma divertida festa canina sob o tema da Masha e o Urso. Compareceram pets de diversas raças, cores e hábitos variados como o de fazer xixi em qualquer lugar.
Mãe e filha comemoram juntas seus aniversários em clima de animação, sendo que o auge da festa aconteceu quando foi exibido o filme do resgate e recuperação da Melissa, levando às lágrimas uns presentes, comovidos com a terrível situação pela qual passara a aniversariante.

Melissa recebeu muitos presentes e, curiosamente, tomou a iniciativa de vigiá-los, protegendo-os como se fossem apetitosos ossos, não permitindo que estranhos tocassem nos objetos ganhos como lembrança do seu aniversário. Pouco tempo depois do aniversário, a entusiasmada Melissa estreou como “garota-propaganda” de uma clínica veterinária.

E assim, Adalgiza tem mais um motivo para continuar muitos anos firme e forte na sua jornada terrena de criar filhos que crescem, mas não desaparecem. Sua casa, em Brasília, é ponto de encontro semanal dos filhos que moram na Capital Federal. Manoel Pastana reside em Porto Alegre, mas sempre que vai a Brasília a casa da mãe tem prioridade na sua agenda.
Ademais, ele trocou mais de 90% da comunicação telefônica instantânea pelas mensagens de Whatsaap, todavia, comunica-se diariamente, cedo da manhã, com a genitora por telefone, pois, na comunicação entre mãe e filho, a espera de resposta do Whatsaap não tem utilidade, uma vez que a conversa que vale para ambos tem que ser ao vivo.

BRASÍLIA: DESTINO INCERTO COM OBJETIVO CERTO

Manoel Pastana zarpou da Ilha do Marajó rumo a Brasília, em janeiro de 1980 aos 17 anos de idade, faltando poucos meses para completar 18 anos. Na época, o Brasil estava sob o Regime Militar. Não houve nenhum problema para ele se deslocar, pois, apesar da “ditadura militar”, no Brasil não havia o controle do Estado sobre o que o indivíduo fazia da sua vida, diferentemente do que ocorria e ocorre na “democracia cubana”, que Dilma Rousseff, José Dirceu e outros “defensores da liberdade” lutaram e lutam para impor aos brasileiros.

A vida do determinado Manoel em Brasília não foi nada fácil. Sem QI (“quem indica”) não encontrou emprego, embora tenha tentado de todas as formas, inclusive, passando noites inteiras em filas de espera. O máximo que conseguiu foi trabalho, sem carteira assinada, de faxineiro numa padaria, onde, graças à compaixão do proprietário, fez do depósito do estabelecimento comercial seu quarto de dormir, caso contrário teria se tornado sem teto.
Na época, os concursos públicos eram poucos, exceto para as escolas militares, cujas portas eram abertas a jovens que estivessem dispostos a encarar e a superar a maratona de provas, testes e exames, que envolviam provas de conhecimento, exames médicos e odontológicos, testes físicos, psicotécnicos e de inteligência. A seleção era rigorosa.
Pastana tinha o objetivo de ingressar na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), considerada o maior centro técnico-militar da América do Sul. Embora estudasse muito para o concurso e fosse ótimo aluno com notas altas na escola pública, foi reprovado três vezes no certame de admissão à mencionada escola militar. Após a terceira reprovação, Manoel Pastana obteve ajuda técnica de um ex-aluno da EEAR que lhe orientou no sentido de melhor se preparar para a resolução das provas, que eram bem diferentes das provas feitas nas escolas comuns.

Assim, na quarta tentativa, o filho da Dona Adalgiza passou nas provas escritas, mas foi reprovado nos exames médico e odontológico (tinha um pólipo nasal e deficiência dentária). A reprovação caiu como uma bomba nos planos de Pastana, mas não foi o suficiente para fazê-lo desistir, por isso fez cirurgia para extrair o pólipo e corrigiu a deficiência dentária.
Resolvido os problemas de ordem médico e odontológico, Manoel Pastana submeteu-se novamente ao concurso que tanto almejava lograr êxito. Finalmente, na quinta tentativa, ele passou nas provas escritas, exames médicos e odontológicos, testes físicos, psicotécnicos e de inteligência.

Alguns pensaram, inclusive, o próprio Manoel (na época acreditava em coisas desse jaez), que a sucessão de fracassos na tentativa de lograr aprovação na escola militar em epígrafe seria “maldição”, “azar” ou “castigo” por algum erro de ordem espiritual. Na verdade, não foi nada disso, foi apenas falta de preparação material adequada ao enfrentamento da realidade que ele desconhecia, sobretudo a capacidade que qualquer pessoa tem de aprender a aprender. Assim ele superou as adversidades, que nada tinham de sobrenatural ou de extraordinário: eram apenas difíceis, mas não impossíveis.
O rigor dos exames de seleção à escola militar no qual se cobrava dinâmica cognitiva, raciocínio e aplicação prática do conhecimento justificava-se pelo fato de o curso de formação técnico-militar ser ministrado sob o regime de internato com aulas teóricas e práticas o dia inteiro e constantes provas nas quais cobravam-se conhecimentos de ordem teórica e prática.
A preparação na fase do concurso, na qual Pastana teve que se adequar ao estilo de provas que cobram conhecimento empregável na prática, ao contrário das provas escolares comuns, cujos exames concentravam na cobrança de questões teóricas, divorciada da realidade, o fez mudar da condição de aluno esforçado para estudante determinado a vencer pela educação.
A diferença entre aluno e estudante é significativa e Manoel Pastana descobriu isso na prática. O médico neurologista Leandro Teles explica a colossal diferença entre aluno e estudante no seu livro “ANTES QUE EU ME ESQUEÇA”:

“Um menino de 11 anos de idade que frequenta todas as aulas, faz a tarefa de casa e tira boas notas é um bom estudante? Não sei. Sei que é um ótimo aluno. Mas ser estudante é algo diferente. E essa diferença não é apenas semântica, é estrutural. Estudantes são alunos diferenciados, que aprenderam a aprender – que tomam as rédeas do próprio ensino, entendem tanto com as aulas boas quanto com as ruins, expandem conteúdos, carregam por anos de vida escolar conceitos e suas aplicações, trazem consigo bagagens de longo prazo, são o terror dos concursos e vestibulares e dominam o mercado de trabalho. O ponto-chave é migrar, o quanto antes, de bom aluno para bom estudante.”

O Jornal Folha de Londrina, após entrevistar o saudoso Professor Pier, grande entusiasta da educação voltada para a prática, publicou a seguinte matéria: “O Brasil tem milhões de alunos e pouquíssimos estudantes”. De fato, o problema da educação no Brasil não está na quantidade, mas na qualidade, delineada na abundância de alunos e na carência de estudantes. Isso tem reflexo na posição do Brasil no ranking da educação mundial, tanto que na avaliação do PISA (Programme for International Student Assessment) – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Brasil fica entre os últimos colocados.
Inicialmente, Manoel Pastana foi aluno preguiçoso. Apesar de a mãe ter feito esforço tremendo para a família morar na cidade, a fim de que os filhos ficassem perto da escola, Manoel foi reprovado no primário (ensino fundamental). Isso ocorreu porque ele não se dedicava aos estudos, deixando-se levar pela preguiça, “justificada” pelas necessidades que a família passava. Após a reprovação, ele resolveu migrar da situação de aluno preguiçoso para aluno esforçado, dedicando-se à leitura e aos estudos e, assim, passou a tirar notas altas na escola.

Depois que se mudou para Brasília, fez o primeiro concurso e foi reprovado, sendo que a reprovação se repetiu, conscientizou-se de que não bastava ser aluno esforçado, pois o máximo que conseguiu foi tirar boas notas na escola. Para vencer pela educação, teria que ser mais que aluno: teria que ser estudante determinado a vencer pelos estudos. E foi assim que passou a cultivar a educação voltada para a prática.

Após tornar-se estudante determinado, cultivar a educação voltada para a prática, desenvolver habilidades como inteligência emocional, raciocínio prático, perspicácia, senso crítico e de observação, Manoel Pastana turbinou sua performance de vitorioso passou a ter êxitos em concursos públicos, na atividade profissional e na vida pessoal.
Ele conta sua história de superação no livro autobiográfico De Faxineiro a Procurador da República. Pretende publicar dois livros, um este ano e outro ano que vem. Após a publicação dos livros, tenciona ministrar cursos técnicos de alta performance pela internet.